segunda-feira, 23 de junho de 2014

VIDA IN CENA - SNOWDEN, ÉTICA E O LABIRINTO DA POLÍTICA


Na foto acima Edward Snowden, Glenn Greenwald, David Miranda e a documentarista Laura Poitras

Edward Joseph Snowden, certamente se apresenta como uma das personalidades mais atuantes e controvertidas da atualidade.  Analista de sistema, ex-funcionário da CIA (Agência Central de Inteligência) e ex-contratado da NSA (Agência de Segurança Nacional), pertencentes ao governo norte-americano; depois de um bom tempo servindo aos interesses da espionagem internacional, a partir de um dilema de consciência, resolveu tornar público, detalhes sobre a natureza de diversos programas de vigilância global financiado pelos EUA, cujo foco destinava-se tanto a invasão de privacidade dos próprios norte-americanos, como do monitoramento a cerca de nações consideradas uma ameaça em potencial, juntamente com países intitulados "amigos", de estreita e duradoura parceria política.
A revelação desta obscura face totalitarista, paranóica e voyeuristicamente manipuladora, da política governamental vigente, fez com que tal identidade fosse desnudada diante da incredulidade (até certo ponto, hipócrita), das demais lideranças mundiais.  Snowden passa então, a ser considerado e tratado como traidor de sua pátria, pelas instituições que até então integrava, em discreto anonimato.  Foi acusado formalmente por roubo de propriedade do governo, comunicação não autorizada de informações de defesa nacional e divulgação intencional de fontes classificadas de inteligência, para pessoa não-autorizada.  O escândalo envolvendo a NSA como principal monitoradora das comunicações por internet e telefone no mundo inteiro, através de um sistema denominado metadata, que registrava quem falou com quem, por quanto tempo, onde estava quando falou e quanto tempo durou a conversa, veio recentemente a constituir parte importante do livro "Sem Lugar Para Se Esconder", de autoria do jornalista britânico Glenn Greenwald; cuja temática se refere ao conteúdo dos arquivos entregues por Edward Snowden a este veterano do periódico "The Guardian", onde publicou uma série de denúncias a respeito do engenhoso esquema de espionagem virtual, agora mais densamente elaboradas, incluindo considerações sobre o destino incerto e momentâneamente inglório de Snowden, em perfil de obra literária.
Esta digressão inicial me pareceu necessária, para aflorar em nossa memória, o que Snowden fazia enquanto funcionário engajado, fiel ao intervencionismo clandestino, de órgãos governamentais, mantidos à distância do reconhecimento público de suas atividades; e o que passou a fazer enquanto cidadão, buscando romper a névoa do indizível, do indivulgável, partindo para uma defesa quixotesca da verdade.  Se pretendia exorcizar a cumplicidade de seu silêncio, ainda que isto significasse o início de seu inferno particular, perseguido por seus antigos parceiros e atuais algozes, por abraçar sua liberdade de escolha, jamais saberemos ao certo.  Mas o fato, é que o jovem analista de sistemas que um dia já lutou como soldado, acreditando nos valores éticos de seu país, agora é execrado como inimigo de Estado, precisando implorar por asilo político a qualquer nação que se compadeça de um destino nada animador, onde a prisão na terra natal ou um iminente atentado a sua vida, são as únicas certezas a curto prazo.
Diante deste quadro ficcional, digno dos melhores romances de espionagem de Graham Greene ou Tom Clancy, acompanhamos o desespero contido de Snowden, cujo olhar serenamente convicto de sua escolha filosófica, nos inquieta com o seguinte questionamento: Por que buscar a verdade ?  Por que nos sacrificarmos pela justiça ?  Por que lutarmos por um preceito ético, quando a moral política onde vivemos, se apresenta tão vergonhosamente maleável a ponto de inverter os parâmetros da virtude, maquiando-a sob o disfarce da traição ?  
É notório que não existe mais lugar para a inocência neste mundo.  E nem pretendo destacar a conduta de Snowden, como baluarte de uma ética utópica, intocável, históricamente descompromissada com a gênese da política.  O nômade sem pátria, emissário de uma verdade indesejável pelos poderosos, está longe de encarnar o protótipo do herói, mitológicamente arrependido de seus pecados, buscando a redenção por uma causa universalmente aceita.  Até porque, como bem ressaltou o filósofo austríaco Friedrich Nietzsche, nada pode ser considerado garantia de bondade ou maldade em si, sem antes levar em conta, a existência de um conflito de interesses.  Tal consideração nos mostra que tanto o bem quanto o mal, seriam interpretações circunstanciais, podendo receber avaliações diferentes de acordo com a realidade dos envolvidos no resultado do conflito.  Assim, ao analisarmos o posicionamento ético de Snowden, apesar de não nos nos sugestionar com a persona do herói, suas atitudes possuem a grandeza da intenção heróica, ao salientar a continuidade de uma lógica civilizatória, capaz de impor limites viscerais a um poder que se tornaria extremo, pela invisibilidade do ataque sútil ao direito constitucional à liberdade e privacidade dos cidadãos.  Tal poder, destituído de qualquer coibição, poderia viver o onipotente destemor pela consequência de seus atos.
A moralidade e a justiça (esta legitimada, na forma de um sistema de leis), só podem evoluir, enquanto se descobrirem como meio seguro de controlar a ambição irrestrita seja do indivíduo ou de um grupo, que procure se impor pelo perigoso privilégio de um segredo, frente ao desconhecimento dos demais.  O escritor inglês J. R. R. Tolkien, retratou esta possibilidade arquetípica, na obra "O Senhor dos Anéis", quando o personagem Frodo, juntamente com seus amigos defensores da liberdade, precisam escoltar e ao mesmo tempo se proteger, da influência tirânica do Poder do Anel, conduzindo-o numa jornada épica, em favor da ordem, do equilíbrio de forças, em meio a convivência cada vez mais caótica entre os reinos da Terra Média.
"O medo é o pai da moralidade", reiterou Nietzsche; princípio depois expandido por outros pensadores, como Sigmund Freud, ao longo do ensaio "O Mal-Estar na Civilização".  O artificialismo funcional da moralidade, que motiva o compartilhamento dos valores éticos pelos mais fracos, a fim de que nenhum deles um dia se acredite suficientemente superior, ao ponto de desafiar a autoridade do grupo; torna-se condição essencial para qualquer possibilidade de paz negociada, de compensadora sensação de segurança.  E o que o governo norte-americano hoje chama inapropriadamente de traição, nada mais é do que uma reação de resgate ético, provocada individualmente, mas de alcance coletivo, numa tentativa de manter este verniz de ordem, de frágil equilíbrio, em meio ao vulcânico mundo de ambições políticas, que insistem em cercear nosso direito, ainda que ilusório ao livre arbítrio.
Snowden representa o discurso civilizatório, que embora agonizante, frente ao primitivismo da natureza humana, opta pela escolha de proteger a si mesmo e a coletividade, dos desvarios de um poder absoluto, cancerígeno a nossa sobrevivência como espécie.  Foi do conhecimento como parte integrante deste mal, que ele conseguiu emergir por vontade própria, antecipando visionariamente os equívocos de uma trajetória suicida, trocando-a pela defesa de uma verdade autopreservadora; tão bem vivenciada por Nietzsche ao escrever: "O Homem precisa daquilo que em si há de pior, se pretende alcançar o que nele existe de melhor".
                                                                                  Rogério Ferraz


Cenas do filme " O Quinto Poder", que aborda o surgimento da organização transnacional Wikileaks, sediada na Suécia, sem fins lucrativos, que publicou em seu website, documentos, fotos e informações vazadas de governos ou empresas sobre assuntos confidenciais ocultos da opinião pública.  Entre eles, a divulgação em 2007, do polêmico vídeo documentando o ataque de um helicóptero Apache dos EUA, responsável pela morte de 12 pessoas; ou a imagem da cópia de um manual de instruções para tratamento de prisioneiros na prisão militar norte-americana de Guantánamo, em território cubano.  O jornalismo investigativo dos Wikileaks, revestido do mesmo idealismo contido nas denúncias de Snowden, representam esforços pelo compromisso humanitário com a verdade.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Diário de Bordo: Rogério Ferraz entrevista a Designer e Figurinista Jacqueline Cerezo, sobre o tema Moda Plus Size


MATÉRIA DO BLOG: MODA PLUS SIZE
Olá, meninas! O assunto desta matéria é a moda plus, voltada para as mulheres mais cheinhas. Acho muito importante cuidar da saúde e fazer dietas, desde que sejam de forma saudável, não com as loucuras em busca da beleza padrão. Gordinha, sim, e daí? Você deve se assumir como é; cada corpo tem um biotipo e metabolismos diferentes. Por esse motivo, o blog Divã Cultural está me oferecendo a oportunidade de dar algumas dicas de moda para vocês sentirem-se mais bonitas e valorizadas, e, quem sabe, divas!
Vamos lá: quando for comprar suas roupas, evite que sejam muito largas ou muito justas, e sempre confira a numeração correta. Uma coisa muito importante é sua roupa íntima: calcinhas e sutiãs no tamanho certo fazem toda a diferença no seu figurino, e te farão sentir-se mais segura.
Use e abuse dos poderosos sapatos, eles valorizam a sua imagem. Quanto aos vestidos, opte por aqueles que marcam abaixo do busto ou transpassados, que valorizam e diminuem o abdômen. Para você que gosta de longos, tudo bem, desde que não fique na altura do tornozelo; tem que cobrir os pés, para não reduzir sua silhueta. Em relação aos mais curtos, use um pouco acima do joelho, pois rejuvenesce e alonga. Decotes, de preferência, em V.


                                                           

Livre-se um pouco do preto, porque é muito óbvio. Dê preferência às cores quentes, e os acessórios, de modo geral, são ótimos para chamar a atenção e distrair o que você quer disfarçar. Eles finalizam e dão sofisticação ao seu look. Vale a pena lembrar que você deve fugir das listras e estampas muito grandes, bem como babados e roupas de elástico.




           A maquiagem também faz toda a diferença.  Escolha dois tons de base: use uma que seja bem o tom da sua pele e outra em um tom mais claro para usar no pescoço. Assim, seu rosto parecerá mais fino. Na hora do blush, fuja dos rosas e aposte nos tons terrosos. Sombras devem ser discretas; para a noite, vá de cintilantes e tons mais fechados, um belo olho ressaltado de preto é tudo de bom. Batons discretos lhe farão mais sofisticada, porém, à noite, aposte em um bom vermelho.




Não sei se vocês perceberam, mas tudo pode, desde que se tenha bom senso e seja viável ao seu biotipo. Afora as dicas, você tem que se gostar e se valorizar como mulher, reconhecendo quando está um tom a mais e nunca ficar um tom a menos. Cabelos bem cuidados fazem bem ao ego, e sempre que tiver um tempo pesquise e informe-se sobre as tendências plus. O que percebo é que algumas mulheres plus nunca se veem como as mulheres belas que são. Cada uma tem seu valor, descubra o seu .
Fica aqui todo o meu carinho para vocês, até a próxima.
Jacqueline Cerezo
Designer de Moda e Figurino
j.cerezo@bol.com.br / (21) 99754-4482

terça-feira, 6 de maio de 2014

Dicas de Moda e Estilo, para um DIA DAS MÃES FASHION!





Olá, me chamo Jacqueline Cerezo, e sou bacharel em Design de moda e figurino e aceitei com muito carinho o convite dos meus amigos Paulo Rogério e Alex Ferraz para dar algumas dicas de moda nesse Dia das Mães. Sou a favor de compras bem pensadas, assim como sou adepta à readaptação de peças já existentes em nosso guarda-roupas. Neste inverno, temos muitas opções para modificações. Estão de volta, por exemplo, as calças “cigarretes”, mais finas; basta ajustar as pernas, fazendo uma bainha até a altura do tornozelo. Você pode completar com uma ou duas peças usadas, e pronto!

Uma outra dica é que os casacos de pele estão em alta. Como não temos um inverno muito intenso, podemos aplicar pelos sintéticos em golas e punhos de casacos já existentes em seu armário. Além disso, encontramos facilmente vários tipos de pelo para compra a metro em lojas de tecidos, como, por exemplo, no centro do Rio de Janeiro. E, nos dias mais frios, use e abuse dos coletes de pelo, que trazem um ar sofisticado ao seu visual sem gastar muito.



                                    (Colete de pele sintética Lady Lulu)       (Reproduçâo: site “Delirios de consumo”)

E para você que tem saias e vestidos longos, mesmo que sejam decotados, que tal subir a bainha até a altura da panturrilha? Isto te dará a opção de reaproveitar uma peça já existente e entrar na moda. Esse é o comprimento chamado "midi". Acrescentando um casaco e uma bota, você terá um look chique e muito elegante. Vale a pena lembrar que o vinil e a renda, além das cores como vermelho e azul “bic” estarão colorindo o seu inverno. Use sem medo de errar!


(Reprodução: site “JP Big Blog”)                                        (Reprodução: site “Estrela do dia”)

                                                                  

Observando a semana de moda, em Nova Iorque, pôde-se notar que as franjas continuam com força total. As estampas chamadas “étnicas” e geométricas estão em alta, e poderão ser usadas em vestidos e saias de todos os comprimentos, inclusive as mais curtas, já que nosso inverno é permissívo. Para complementar um look mais curto, nada melhor que a velha e boa bota.



E, claro, não podemos deixar de falar da maquiagem. O inverno vem com batons de cores fortes, com vermelho, laranja e rosa de vários tons, bem como bastante rímel e sobrancelhas bem marcadas. Ah, e os esmaltes! Tons vibrantes, terrosos, alaranjados e metálicos vão mandar no pedaço. Eles farão de suas unhas um complemento do seu dia-a-dia, trazendo charme e elegância ao seu visual. Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado das dicas, deixo aqui meu carinho especial a todas as mães e até a próxima!

                           (Reprodução: site “Guia Saúde”)                                   (Reprodução site “Aline Pimenta”)











Jacqueline Cerezo
Designer de Moda e Figurino
j.cerezo@bol.com.br / (21) 3347-2336

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Van Gogh Shadow - Animação de Luca Agnani





O designer italiano Luca Agnani, produziu uma versão 3D e animada de 13 quadros do pintor holandês Vincent Van Gogh, conferindo movimento, escolhendo uma tocante trilha sonora, para criar uma experiência inteiramente nova, capaz de cativar todos os admiradores do artista pós-impressionista, tardiamente reconhecido em sua época; e que hoje tem sua obra revisitada e eternizada para muito além de um estilo pictórico, tornando-se um fenômeno pop atemporal.  Van Gogh, vítima de sérios distúrbios mentais, morreu em 1890 e suas obras só alcançaram pleno reconhecimento em 1901, quando expostas em Paris.
Acima você confere esta bela e comovente animação.


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

VIDA IN CENA ESPECIAL: RETROSPECTIVA DE UM ÍCONE CINEMATOGRÁFICO, PELA PERFORMANCE DE DIVAS DA MÚSICA INTERNACIONAL.


James Bond, o espião do serviço secreto britânico, idealizado pelo escritor Ian Fleming e publicado pela primeira vez em abril de 1953 (Cassino Royale); seria glamorizado e popularmente imortalizado nas telas de cinema, através da mente empreendedora do produtor Albert Brocolli, ao longo de cinquenta décadas de altos e baixos; porém, de uma constante perseverança, ao investir no complexo e carismático arquétipo de um herói, que parecia ironizar a partir de toda e qualquer simplificação estereotipada de sua conduta.  Se por um lado, o escapismo acrobático, quase circense de alguns títulos da série (especialmente durante o reinado de Roger Moore), despertassem nossa bem humorada incredulidade; por outro, seus momentos de uma ética bem particular, aparentemente amoral e ególatra, nos evidenciava a essência de uma persona multifacetada e realista ao assumir escolhas tão controversas quanto qualquer ser humano seria capaz de vivenciar, numa condição limite.  Seu caráter icônico, marcaria definitivamente a vida de todos os atores que o interpretaram.  No caso de alguns catapultou a carreira para vôos ainda mais promissores, como Sean Connery, Pierce Brosnan e Daniel Craig.  Para outros, como Roger Moore e Timothy Dalton, significou um tipo de sucesso setorizado, mas que de qualquer maneira deixaria sua marca na história do cinema.  Até no caso da passagem meteórica de George Lazenby, interpretando-o em 007 - A Serviço Secreto de Sua Majestade, a qualidade arrojada e visionária das cenas de ação (incomuns no final dos anos 70) levaria o ator a servir de referência, pela linguagem corporal vigorosa, à composição cênica do novo Bond, na pele de Daniel Craig, que também aproveitaria o melhor do cinismo sedutor de Sean Connery, para amalgamar ao seu talento, conquistando a cumplicidade de plateias em todo o mundo.
Nos vídeos a seguir, procurei selecionar momentos marcantes da entrega do Oscar 2013, durante a homenagem aos 50 anos do herói pop mais famoso do cinema, embalado pelas vozes inesquecíveis da veteraníssima Shirley Bassey, bem como da arrebatadora Adele.  Logo depois, as performances igualmente cativantes de outras divas da canção, que reservaram um capítulo significativo de suas carreiras, para o mítico Bond, James Bond.  São elas: Gladys Knights (Licença para Matar); Sheena Easton (Somente para seus Olhos); Tina Turner (Goldeneye) e Madonna (Um Novo Dia para Morrer).
Espero que se preparem para 2014, com todo estilo, coragem e bom humor, inerentes ao divertido universo de 007.  Bom entretenimento e um Feliz Ano Novo para todos.
                                                                                                                Rogério Ferraz