terça-feira, 1 de março de 2016

Diário de Bordo: Rogério Ferraz entrevista a atriz Luísa Thiré, sobre a peça "Medida Por Medida" (Repertório Shakespeare)





Shakespeare, Atemporal e Profético

A combinação de um clássico, constante nos palcos brasileiros a outro, uma comédia política, raramente montada em nosso cenário teatral, estabelecem um diálogo bastante peculiar, tanto pelos seus contrastes como complementaridades, resultando numa terceira possibilidade de percepção humana em torno da morte, do poder e do medo.  Assim, o diretor Ron Daniels, brasileiro radicado em Londres, um dos principais nomes da "Royal Shakespeare Company", concebeu este encontro harmonioso e inusitado, entre as montagens de "Macbeth"e "Medida Por Medida", integrando o projeto "Repertório Shakespeare".  Atores de diferentes gerações e estilos, revezam-se em múltiplos personagens, integrando o elenco fixo das duas peças: Thiago Lacerda, Giulia Gam, Luísa Thiré, Marco Antônio Pâmio, Felipe Martins, Ana Kutner, André Hendges, Fábio Takeo, Lourival Prudêncio, Lui Vizotto, Marcos Suchara, Rafael Losso, Stella de Paula e Sylvio Zilber; formam esta trupe de talentosos artistas.
Em "Macbeth", no caos da guerra, o mundo se apresenta como um feroz e inescrupuloso campo de batalha.  E Shakespeare nos pergunta: De onde surge o mal ?  Em que parte da alma, reside a semente nefasta da ambição sem limites, que nos leva a matar ?  Como lidar com a consciência dos crimes cometidos, quando o sangue derramado, ao refletir nosso semblante, exige incansavelmente, cada vez mais sangue; sem permitir aos assassinos nenhum instante sequer de sono, quietude ou repouso ?  Vivendo entre o crime e a culpa, morrerá também o amor ?  Em "Medida Por Medida", Shakespeare nos convida a conhecer outro tipo de caos; aquele que acontece nos tempos de paz, aguçando o imediatismo dos desejos carnais; o furor por um sonho de liberdade, que para interpretação de muitos, estaria transformando o mundo num grande bordel.  E eis a pergunta que o bardo poeta, agora nos faz: Se somos seres tão falíveis; se desconhecemos a face sombria da própria alma, como podemos julgar uns aos outros ?  A trama espelha uma sociedade povoada por homens de impactante poder e também por padres e freiras; prostitutas e cafetões; bêbados e arruaceiros; pessoas de uma alegra simplicidade, que levam a vida nas ruas, nos conventos, nos randevus ou mesmo, encarceradas nas prisões da cidade; algumas, aguardando a sentença de morte.  Em um mundo assim, poderá surgir o amor de forma inesperada, triunfando sobre o puritanismo e a libertinagem ?  
Depois de muito tempo governando de maneira displicente, sem policiar os excessos de uma sociedade insatisfeita, ávida por esperança; o duque de Viena, resolve mudar as regras do jogo, impondo radicalmente o paternalismo do Estado sobre o indivíduo; valendo-se de uma estratégica artimanha: transfere o poder ao subordinado direto, Ângelo (Thiago Lacerda), homem considerado por todos de zelosa reputação e rigorosos valores éticos, designando-o para conter a volumosa disseminação da imoralidade e da corrupção.  No entanto, sem abandonar a cidade, o duque lá continua, observando as mudanças que estão por acontecer, disfarçado de frade (túnica longa e capuz); ora obtendo a perspectiva das ruas, escutando o povo; ora dos corredores do palácio.  Ângelo ordena o fechamento dos bordéis da periferia, reinstaurando uma lei capaz de punir com a morte, qualquer ato interpretado como"abuso sexual".  Quando o jovem Claudio é preso, acusado de engravidar a noiva antes do casamento e sentenciado à morte; sua irmã, uma noviça; encoraja-se a apelar para o rígido governante,  a fim de que Ângelo possa rever o veredito pela decapitação do condenado.  O que a noviça Isabella (Luísa Thiré) não contava, é que a paixão inesperada de Ângelo por ela, fizesse aflorar o cinismo do interino governante, que chega a lhe propor, louco de desejo, trocar a liberdade do rapaz, por sua virgindade.  Após a revolta inicial, Isabella resigna-se a ceder.  Mais uma vez, subjugado pela fraqueza da carne, Ângelo não consegue cumprir a palavra que empenhou; mantendo a sentença.  Testemunha ocular e ao mesmo tempo oculta, de tantos confkitos de sentimentos e imprevistas transformações de caráter, o duque, supostamente retornando de sua viagem, elabora um plano, aproximando-se da virtuosa Isabella, para desmascarar todas as intolerâncias, através de uma trama insuspeitável.
No caso da teia de acontecimentos de "Macbeth", a ambição pelo poder, assume consequências trágicas e irreversíveis.  General heróico, de uma coragem sem precedentes, Macbeth retorna de mais um triunfo em batalha, do qual o rei da Escócia é amplo conhecedor,  Tendo retornado recentemente do clamor da guerra, o general é tentado por três criaturas misteriosas, que lhe fazem a seguinte saudação: "Salve Macbeth, que um dia será Rei !"  As feiticeiras alertam que será num futuro muito próximo.  Ao tomar conhecimento da profecia, Lady Macbeth (Giulia Gam) instiga o marido a assassinar o atual rei, Duncan.  Quando o crime é descoberto, Malcolm e Donalbain, filhos do antigo rei, sentindo-se ameaçados, decidem fugir.  Macbeth é coroado; mas para se manter no trono, o outrora súdito, honroso general, descobre que derramar sangue alheio acaba por exigir mais sangue, para silenciar a potencial ameaça de segredos revelados, mantendo assim o poder intocável.  Desencadeiam-se novos assassinatos, como o de testemunhas e filhos das vítimas.  Com o tempo, a alma do protagonista é tomada de assalto pelo medo.  Macbeth alucina; sua consciência não lhe permite dormir, fazendo o traidor acordar para o pesadelo particular.  Meticulosa estrategista, sua esposa fica a remoer as razões dos atos e desejos em permanente estado de sonambulismo.  No exílio, Malcolm planeja invadir o país e destronar Macbeth.  Enquanto  o rei impiedoso na solidão do poder, acredita ainda estar protegido pelo presságio das irmãs feiticeiras, o exército invasor avança, para cumprir sua vingança.  Ao final de ambos os espetáculos, a pergunta feita pelo personagem do duque, em "Medida Por Medida", parece aflorar naturalmente em nossa memória: "Vamos ver se o poder muda com os homens o os homens mudam com o poder".



Com Luísa Thiré, protagonista da peça "Medida Por Medida"
Com Thiago Lacerda, protagonista de "Macbeth"
 "Estamos trabalhando nas duas peças de Shakespeare, uma tragédia e uma comédia; com o mesmo diretor, Ron Daniels, mesmo elenco, se revezando em vários papéis; tanto no Macbeth, quanto no Medida Por Medida, que foi menos traduzida e que gera muita curiosidade.  É Shakespeare em dois estilos diferentes, onde os atores vivem essa diversidade, esse lado lúdico do Teatro".  (Giulia Gam)

Lembranças de Giulia Gam, quando convidada por mim, para o encontro "Shakespeare e a Psicanálise", no Instituto São João Baptista, durante evento com os alunos do Ensino Médio.  Na época, além de professor de Psicologia, atuava como Promotor Cultural da instituição; e a atriz Giulia Gam realizava a primeira palestra de sua vida (1993).


Nos bastidores de "Repertório Shakespeare", com Rodrigo Lombardi, Adriana Esteves e Fernanda Montenegro,


Na imagem abaixo, a lembrança inesquecível, da Dama do Teatro, Fernanda Montenegro.


Momentos de "Macbeth"



Momentos de "Medida Por Medida"



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Diário de Bordo: Rogério Ferraz entrevista a atriz Viviane Vieira e o diretor Alexandre Mello, em Teatro Nathalia Timberg





A primeira turma de formandos da Escola de Atores Wolf Maya, sob a direção do professor Alexandre Mello, encenou nos dias 22,23 e 24 de fevereiro de 2016 o clássico de Bertold Brecht, "A Alma Boa de Setsuan", peça escolhida para a culminância do curso.
O enredo desta obra consagrada, um marco do teatro moderno, foi apresentada pela primeira vez em 1940; porém sua abordagem parece se renovar com o passar das décadas, atingindo uma atemporalidade temática, capaz de aproximá-la da realidade mais visceral da criatura humana.  Na montagem proposta por Brecht, os deuses são personificados de forma cômica e descompromissada; buscando na Terra uma alma boa para salvar, tarefa árdua, de ser cumprida.  Chegando à província de Setsuan objetivando um lugar para pernoitar, percebem que ninguém lhes dá abrigo, a não ser a jovem prostituta, chamada Chen Tê.  Comovidos por sua generosidade e certos de terem encontrado sua boa alma, os deuses a premiam com uma considerável quantia em dinheiro.  Feliz com seu prêmio, ela deixa de se prostituir e monta um comércio, uma tabacaria.  A partir daí, começam os conflitos.  Pessoas da região que nem a consideravam, passam a se aproximar para obter vantagem de sua conduta benevolente.  A índole de Chen Tê, a impedia de negar auxílio; sendo em breve vitimizada economicamente pela incompatibilidade entre o exagero da bondade e a fria realidade dos negócios.  Antes que fosse à falência, ela então, decide criar um alter ego, travestindo-se masculinamente como um primo distante que vinha visitá-la e ajudá-la nos negócios, chamado Chui Tá.  Este sim, consegue negar, exigir direitos, chegando mesmo a revelar-se antiético, com capacidade para atos maus, para obter o respeito desejado.
Entre tantos temas veiculados, inclusive o precioso elemento literário do amor, Brecht propõe a reflexão sobre a possibilidade dos valores virtuosos sobreviverem, em um mundo de interesses egocêntricos, onde somente o medo e a certeza do sofrimento, seriam capazes de coibir os abusos.  Mas por sua vez, seu texto também nos alerta, que sem o devido toque de generosidade, toda uma sociedade também pode ser igualmente conduzida ao caos.













sábado, 20 de fevereiro de 2016

Diário de Bordo: Rogério Ferraz entrevista a atriz Nathalia Timberg sobre o espetáculo "33 Variações de Beethoven"







Entrevista com o ator e diretor do espetáculo Wolf Maya


O ator Tadeu Aguiar em breve depoimento

Inaugurando o mais novo polo cultural da Barra da Tijuca, o Teatro Nathalia Timberg; o idealizador e empreendedor Wolf Maya, dirige e atua no espetáculo "33 Variações de Beethoven"; viabilizando artisticamente, dois grandes eventos: homenagear sua amiga, mentora e musa de tantos trabalhos em conjunto, Nathalia Timberg; e ao mesmo tempo, trazer em primeira mão para o público carioca, a montagem de um dos maiores sucessos da Broadway, dos últimos oito anos, que marcou a despedida da atriz Jane Fonda dos palcos; consagrado internacionalmente como o primeiro musical erudito do mundo.  O texto do venezuelano Moisés Kauffman, um dos mais importantes da dramaturgia mundial; foi escolhido, traduzido e apresentado como proposta para ser montado no Brasil, pela própria atriz Nathalia Timberg.  Ela interpreta a protagonista, uma musicóloga e historiadora, Katherine Brandt, que pesquisa as sutis e conturbadas nuances de relacionamento entre os artistas envolvidos no processo de elaboração por Beethoven das 33 variações sobre uma valsa; considerada por ele mesmo, medíocre, quando escrita no século XIX, pelo compositor austríaco Anton Diabelli.  Este, sabedor das limitações que seu trabalho encontraria no cenário musical da época, decide entregá-la para alguns renomados compositores que objetivassem aperfeiçoá-la.  O único a rejeitar inicialmente o convite, fora justamente Beethoven.  No entanto, algum tempo depois, ele volta atrás e surpreendentemente exige que ninguém mais trabalhe na valsa, monopolizando-a como foco de interesse estético, por longo tempo, numa crescente obsessão.  A historiadora busca saber o que levou Beethoven a mudar sua decisão e que intenções se escondiam, no decorrer da elaboração das 33 variações propostas.  A trilha sonora de Beethoven, ao longo do espetáculo, tem como co-protagonista em cena, a pianista Clara Sverner, musicista brasileira de formação erudita, que habituada a trabalhar com orquestras, pela primeira vez, conduz um espetáculo teatral.  Na riqueza de talentos do elenco, contamos com o próprio diretor Wolf Maya, que retorna ao palco, depois de quase dez anos; Tadeu Aguiar, Lou Grimaldi, Flávia Pucci, Gil Coelho e Gustavo Engracia.  O espetáculo também conta com a colaboração técnica e artística de jovens talentos escolhidos da própria Escola de Atores Wolf Maya; estabelecimento que juntamente com a grande sala e o Nathalinha, espaço alternativo para diversificadas apresentações, formam este belo complexo cultural, tendo como expoente, o Teatro Nathalia Timberg.


 Com a atriz Nathalia Timberg

 Com o ator e diretor Wolf Maya

 Com a pianista Clara Sverner

 Com o ator e diretor Tadeu Aguiar

 Com a atriz Talita Silveira Feuser

Com a atriz Viviane Vieira



Diário de Bordo: Rogério Ferraz entrevista a Psicóloga e Atriz Cecília Dassi





O Divã Cultural esteve presente no evento organizado pela psicóloga e atriz Cecília Dassi, intitulado "MEU FILHO È ARTISTA: COMO MANTER O EQUILÍBRIO DA DINÂMICA FAMILIAR E DA CRIANÇA QUE TRABALHA"; realizada no auditório do Shopping Midtown, na Barra da Tijuca - Rio de Janeiro, no dia 18/02/2016.  Confira a entrevista acima.







sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Vida In Cena - confiar.com






Neste primeiro Vida In Cena de 2016, procurei selecionar para o slide show, algumas imagens da minissérie brasileira "Ligações Perigosas"; assim como um mosaico com passagens do filme britânico de mesmo nome, do cineasta Stephen Frears, concorrente ao oscar de 1988; a fim de demonstrar a complexidade histórica do ato de confiar.  Além disso, inseri imagens de três representativos personagens da novela "A Regra do Jogo": Romero, Atena e Tóia.  O motivo que me levou a escolher a interação entre estas obras, de linguagens estéticas tão diversas, é que a essência dos folhetins tem uma natureza cíclica e muito parecida em seus elementos arquetípicos; ou seja, da tragédia grega ao teatro shakespereano; do cinema de François Troufault, Hitchcock, ou mesmo Woody Allen, à última ousadia de Quentin Tarantino, as inquietações do espírito humano, em torno da conquista da confiança ou iminência de perdê-la estão no epicentro dos mais diversos dramas da civilização; impulsionando ambivalentes respostas afetivas, que vão do ódio à volúpia de vingança; do desencanto à expectativa de redenção.
Em "Ligações Perigosas", por exemplo, tanto no cinema quanto na versão televisiva, a trama retrata o embate entre a malícia e a ingenuidade; o desejo e a virtude; a perversidade e o amor.  Num ambiente de luxo e sofisticação, um homem e uma mulher, pactuam um jogo letal de interesses narcísicos, onde as peças do tabuleiro, representam a boa fé de suas vítimas; pessoas de quem deverão conquistar a amizade e a confiança, apostando todo poder de sedução, na possibilidade sádica da entrega amorosa absoluta, de seus parceiros, com a garantia premeditada da ausência de qualquer compromisso com os envolvidos.  Como passatempo, tecem planos, estabelecem metas, valendo-se de sua amoralidade, apenas para provar que não são manipuláveis e descartáveis como os outros, podendo controlar soberanamente os próprios sentimentos.  Em "A Regra do Jogo", Romero Rômulo e Atena, interagem com a sociedade a partir de um arsenal de mentiras, de máscaras de conduta igualmente descartáveis, manipulando a vida de quem dele se aproxima, ora pela fria e estratégica postura do xadrez; ora pela camuflagem da expressão emocional, blefando com indisfarçável segurança, como se estivessem numa mesa de pôcker.
Em "Ligações Perigosas", o ato de instigar a possibilidade da entrega amorosa, para depois provocar o abandono, acaba envenenando os próprios algozes; levando o atípico casal Valmont e Isabel a sofrer ainda que tardiamente, as consequências da culpa, do desprezo e da solidão.  Em "A Regra do Jogo", Atena apesar da retórica individualista, sarcástica, resistente à ideia de voltar a confiar no outro; a partir do relacionamento com Romero, a quem considera sua alma gêmea, passa a viver na contradição de sentimentos, lutando para equilibrar-se na corda bamba entre a confiança do amor e o escapismo da sobrevivência a qualquer custo.  Romero por sua vez, também se deixa aprisionar no mesmo limbo.  Aproximou-se de Tóia por interesses escusos, acreditando estar protegido de qualquer vínculo afetivo, pelo pragmatismo da cobiça e da vaidade, que o mantinham protegido da consciente e desesperadora perda da esperança, tanto em relação a si mesmo como de qualquer outra pessoa, que dele se aproximasse.  Romero não contava ser alvo da mesma armadilha sentimental que vitimou os interesses de Augusto Valmont e Isabel, na minissérie "Ligações Perigosas".  Apesar da amoralidade de suas atitudes, Romero não preenche os requisitos clássicos de um psicopata.  Ao estreitar o relacionamento com Tóia, vivencia toda a confiança e transparência de caráter que projetava nele, tornando Romero amaldiçoado por sua dualidade de propósitos; pela vontade de reinventar-se num roteiro de vida que infelizmente não perdoa mudanças; fazendo-o oscilar entre a perspectiva de fuga e o confronto suicida, mas definitivamente, contaminado pelo resgate, agora não mais utópico, da capacidade de confiar e amar alguém.  Já a personagem de Tóia, por sua vez, vivencia a decepção daquele que acredita na ingênua legitimidade de seus princípios, até vê-los derrotados pela falsidade, de quem um dia mereceu a sua confiança.  Situação similar encontramos também em "Ligações Perigosas", quando a virtuosa Mariana se entrega à melancolia, adoecendo até a morte após ser abandonada por Augusto Valmont, perdendo a confiança em seu amor.
A partir desta análise comparativa, podemos observar que não é exatamente a mentira, que afeta o bem estar da humanidade.  Psicologicamente ela faz parte de um amadurecimento progressivo da própria consciência e em algumas situações, mentir para si mesmo ou para quem se ama, pode ser a única alternativa para se preservar a sanidade em tempos sombrios; como evidenciado no filme "A Vida é Bela".  O problema é quando a mentira se banaliza no cotidiano das relações; transformando-se num "esporte", a ser praticado por quem nunca desejou mostrar a verdadeira face; enraizando-se na amizade, no amor ou numa parceria, durante anos; para então descobrirmos que interagíamos com uma farsa em forma humana.  Como bem disse o filósofo Nietzsche: "Fiquei magoado não por teres me mentido; mas por não poder voltar a acreditar-te".

Rogério Ferraz

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Diário de Bordo: Rogério Ferraz nos bastidores da saudosa despedida de "Kiss me Kate !" em Teatro Bradesco





A saudosa despedida de "Kiss me, Kate ! - O Beijo da Megera", do palco do Teatro Bradesco, no Rio, reflete a preciosa sinergia promovida vertiginosamente, entre o entusiástico talento dos atores, músicos e toda equipe técnica do espetáculo; e a euforia contagiante de suas plateias, de diferentes gerações, que através do infalível "boca a boca", a mais espontânea e fidedigna forma de divulgação artística; fizeram da magistral criação de Cole Porter, combinada a versão musicada de "Megera Domada" do imortal Shakespeare; um sucesso absoluto da temporada teatral carioca; assinada pelo talento genial de Charles Möeller, na direção e Claudio Botelho na versão brasileira e supervisão musical.  "Kiss me, Kate !" também consagrou-se aos olhos da crítica especializada; o que conduziu o espetáculo a sete indicações para o prêmio CESGRANRIO, duas para o prêmio SHELL e oito para o prêmio APTR.  Recentemente, estes talentosos profissionais, integrantes da acolhedora "família" Möeller & Botelho, puderam compartilhar de toda a alegria e realização, por conquistar pela fundação CESGRANRIO os prêmios de Melhor Ator de Musical, para José Mayer; Melhor Atriz de Musical, para Alessandra Verney e Melhor Figurino, para Carol Lobato.  Que venham novas e merecidas demonstrações de reconhecimento artístico, pelo belíssimo trabalho desenvolvido.  Nesta última apresentação, domingo, 24 de janeiro de 2016, o Divã Cultural esteve presente, parabenizando a equipe e contando com o gentil depoimento de integrantes do elenco.  Na sequencia, vídeos, fotos, declarações, que o Divã Cultural se orgulha em ter como lembrança.














"Em Kiss me, Kate !, começamos a primeira leitura no dia 21 de setembro e tínhamos a primeira platéia em 23 de outubro de 2015.  Não entendia como aquilo podia acontecer.  Como aquele abismo que se abriu inicialmente para nós, podia nos conduzir a um céu tão grandioso como esse, de Cole Porter, de Shakespeare; e da família Möeller & Botelho, que continua espalhando famílias artísticas por aí." (José Mayer)





 Com Mariana Gallindo, Marcel Octavio e Alessandra Verney
 Com Will Anderson
 Com Beto Vandesteen
Na companhia da atriz Isabella Santoni, pouco antes de assistir ao espetáculo

sábado, 23 de janeiro de 2016

Diário de Bordo: Rogério Ferraz entrevista a cantora e ariz Lilian Valeska, após o show de lançamento de seu primeiro CD "Elas", em Teatro Municipal Café Pequeno (Leblon)




Lilian Valeska, atriz, cantora e compositora; participou de marcantes musicais do teatro brasileiro, entre eles: "Ópera do Malandro, "Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos", "Tom e Vinícius"; tendo mais recentemente, atuado em brilhante performance no musical "Amargo Fruto", interpretando a diva do jazz em sua sofrida trajetória existencial, Billie Holiday.  Lilian acaba de lançar seu primeiro trabalho solo, o albúm "Elas"; onde apresenta uma expressiva brasilidade interpretativa, assimilando influencias da black music, viajando com sua voz apaixonante pelo soul, pop, jazz e disco.  Tanto o talento vocal como a presença cênica da cantora, nos remetem às grandes divas da história da música, razão inspiradora para a idealização desse projeto.
O albúm apresenta composições da própria Lilian; uma versão de Last Dance, de Donna Summer, escrita exclusivamente para ela por Miguel Falabella; incluindo também regravações de grandes nomes da música popular brasileira, como Elza Soares, Elis Regina, entre outras.  Neste mês de janeiro está realizando duas apresentações especiais, no Teatro Municipal Café Pequeno (Leblon); nos dias 21 e 28 de janeiro, às quintas, no horário das 20 horas.  Confiram no depoimento exclusivo para o Divã Cultural, nos bastidores do show, quando será a temporada mais extensa do show, no Rio de Janeiro.





 Lilian Valeska no show, "Elas"
 Como Billie Holiday, no musical "Amargo Fruto"
 Na gravação do cd do espetáculo "Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos", com Renata Celidônio e Malu Rodrigues
 Com Lilian Valeska
 Em companhia da atriz Malu Rodrigues
Em companhia da jornalista e assessora de imprensa Julyana Caldas